19 de dezembro de 2001. Uma data especial para grande maioria dos fãs e de leitores de Tolkien; era lançado oficialmente “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, filme que daria início à uma trilogia épica narrando os acontecimentos descritos no livro O Senhor dos Anéis. Os outros filmes foram lançados, aclamados pelas críticas populares e especializadas, premiados e reconhecidos mundialmente. E algo bem parecido ocorreu no ano de 2012, quando “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” chegava aos cinemas do mundo inteiro, narrando em uma nova trilogia cinematográfica a aventura de Bilbo Bolseiro. E hoje, 07 de Dezembro de 2014, estamos a exatos 4 dias de conferir “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”, filme que concluirá essa trilogia. Entretanto, o filme deixa de ser apenas um encerramento e passa a ser um adeus de todos os fãs da Terra Média nas telonas; a probabilidade de termos aquele mundo fantástico novamente nos cinemas é quase nenhuma, e nessa coluna vamos esclarecer o porquê.

adeus 1

Primeiramente, vamos pontuar quando os direitos autorais de O Hobbit e O Senhor dos Anéis foram vendidos: 1968, ou seja, Tolkien ainda estava vivo e ele mesmo realizou a venda. Infelizmente, no dia 2 de setembro de 1973, o autor partiu do mundo físico, e os direitos de suas obras ficaram para um de seus filhos, Christopher Tolkien, que veio a publicar também outras obras do pai, como O Silmarillion, A Queda de Artur e Contos Inacabados. Entretanto, anos após O Senhor dos Anéis sair nas telonas, Christopher resolveu se posicionar em relação aos filmes:

“Tolkien se tornou um monstro, devorado por sua própria popularidade e absorvido pelo absurdo do nosso tempo. O abismo entre a beleza e a seriedade do trabalho e o que se tornou é demais para mim. A comercialização reduziu a nada o impacto estético e filosófico da criação. Para mim existe apenas uma solução: virar meu rosto para o outro lado (…) Eles tiraram as vísceras do livro, transformando-o em um filme de ação para pessoas entre 15 e 25 anos.”

adeus 2

Desprezando o fato de que os livros de O Senhor dos Anéis tiveram suas vendas altamente impulsionadas pelos filmes, Christopher se nega em vender os direitos de outras obras de Tolkien para o cinema, o que colocam os fãs em uma situação bem complicada: de um lado, temos o respeito ao filho do mestre, que certamente é uma pessoa digna de ter os direitos das obras, e do outro, temos toda aquela emoção que assistir os filmes dirigidos por Peter Jackson nos dá. Tudo bem que podem não ser muito fiéis aos livros e (necessariamente) mais superficiais, mas está longe de ter uma produção fraca ou maçante.

Se for parar para pensar, o número de pessoas que se tornaram grandes fãs de Tolkien por causa dos filmes é realmente imenso, e essa ideia de Christopher em criar apenas um tipo de visão sobre a obra (a de Tolkien) pode parecer um pouco egoísta. Será que Tolkien também negaria a venda dos direitos das obras? Bem, infelizmente, é uma das perguntas que irá nos deixar pensando por um tempo. E nos resta acreditar que tudo o que Christopher deseja é que as pessoas leiam as obras de seu pai, e é realmente uma boa intenção, se formos olhar o seu legado.

É evidente que Peter Jackson, diretor e produtor das adaptações da obra de Tolkien desde o início, gostaria de levar em frente a obra, mas não pode fazer isso sem os devidos direitos. Outros atores e fãs pelo mundo já se pronunciaram sobre o assunto, dentre eles, Ian McKellen, que interpreta o personagem Gandalf e gostaria de ver outros filmes no cinema, mas o que nos resta é vontade, e certamente devemos agradecer ao Peter pelas brilhantes obras cinematográficas.

adeus 3

Cabe então à nós, fãs de Tolkien, apoiarmos Christopher em sua decisão, e nos orgulhar perante ao trabalho que foi feito. O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos é a última chance de uma geração de ver a magia de Tolkien nas telonas, e certamente todos aproveitarão e se emocionarão, especialmente com o final do filme, que entoado por “The Last Goodbye” será uma despedida digna à terra média.

O que fica também é a sensação de orgulho; as duas trilogias, que podem muito bem ser unidas (e serão, em um box posteriormente lançado pela Warner), foram um sucesso no mundo das premiações e do cinema. Quem sabe um dia teremos a chance de novamente nos impressionarmos com a arte dos filmes e as trilhas sonoras de Howard Shore, mas até este dia, temos muitas páginas para ler e muitos lugares da Terra Média para redescobrir nos livros. Podemos dar adeus à estes filmes nos cinemas, mas a Terra Média continuará conosco, fazendo dos nossos dias melhores e nos encantando cada vez mais.

Coluna escrita por Marcello Oliveira Costa