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Jogos Vorazes: Em Chamas não precisou da tecnologia 3D para arrastar todos para Panem. O filme que estreou no Brasil uma semana antes de todo o mundo, tem centenas de motivos para ser um dos maiores sucessos cinematográficos do ano: A superprodução é tão emocionante e revolucionária que nos lembra em alguns pontos a clássicos como Os Miseráveis.

Tecnicamente, o filme não deixou a esperar: primeiramente, temos um elenco muito bem selecionado e que honrou o livro: encabeçados por Jennifer Lawrence (ganhadora do Oscar de melhor atriz esse ano), Josh Hutcherson e Sam Caflin conseguem transmitir bem todas as emoções dos personagens, em momentos que misturam ação e tristeza ao mesmo tempo.

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Analisando por partes, o filme já teve um começo tanto quanto triste: Francis Lawrence cria um cenário e uma atmosfera que possibilitam passar toda a tristeza e logo assim, já puxar o máximo de pessoas para dentro das telas, a fotografia é muito importante: o clima frio e de neve misturado às cores claras e tons de cinza fazem com que quem assiste ao filme percebam o humor de Katniss. E isso é muito importante, pois melhora a qualidade da adaptação: a trilogia Jogos Vorazes é narrada pelo ponto de vista da personagem, que no seu ultimo filme, não pode deixar bem claro que aquele era o seu ver do que acontece, e Em Chamas, já temos uma percepção disso. O clima sombrio seguiu nas cenas da Turnê da Vitória, em que se podia ver o medo de Katniss estampado em todas as cenas de início, pela pressão da Capital. É interessante notar também, que a trilha sonora do inicio do filme é bastante pacata e triste: temos a mesma música tocada no Distrito 12 do filme anterior, e outras poucas que remetem a uma solidão e comove pela situação dos Distritos de Panem, mas claro, sempre dando aquela pitada picante de inicio de revolução. A cena do Gale apanhando é o fim: Deixa o fã com vontade de levantar da poltrona do cinema e de entrar na frente do Gale, e é nesse ritmo de revolta e tristeza, que se inicia outra parte do filme: o impacto.

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Com o anúncio do Massacre Quartenário, Katniss passa por um momento de choque, e já abalada pelo ocorrido com o Gale, demora um pouco pra perceber seu destino, mas quando percebe, encara: se despede do Distrito 12 com a saudação que tanto irrita a Capital, e à partir de então, temos as surpresas criadas por Collins e aguçadas pelo diretor: Os Jogos são de pessoas já experientes, e Katniss também demonstra experiência: deixa a garota simpática e atordoada que se apresentou na entrada das carruagens dos últimos jogos e assume o papel de uma mulher (mil pontos para a equipe de Maquiagem do filme), e essa mulher se assume como o símbolo de uma revolução ao desafiar os idealizadores dos jogos com um Seneca Crane enforcado e se transformando em um tordo perante as câmeras de toda Panem. E dessa vez, não está sozinha: Os demais tributos ajudam à despertar a ira de Snow, e novamente, e tudo isso embalado por uma trilha sonora que causa impacto e arrepios: é simplesmente impossível não se emocionar quando o vestido de Katniss se transforma em Tordo e quando sua roupa se transforma em carvões faiscantes em frente toda Panem. E novamente, o diretor usa de impacto para iniciar outra parte do filme: O ataque à Cinna mostra novamente uma revanche da Capital à revolução, que por sua vez, já é bem maior, e por fim, iniciam-se os Jogos.

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A Capital realmente se mostra disposta à contra-atacar a revolução: Dessa vez, a Arena é algo muito bem produzido e pensado, equivalente à capacidade dos 24 tributos que representam toda Panem e sua vontade de revolução. E enfrentando os perigos da arena, temos uma volta ao filme antecessor: O perigo eminente de morte toma conta de todos, mas consegue todos ficarem pregados ao atual cenário, que neste filme, é mais perigoso. E outro ponto pra equipe de fotografia: As cenas dos jogos são mais sombrias, e dois pontos para a equipe de Efeitos Visuais: A nevoa, os mutantes e a Cornucópia girando foram cenas de grande qualidade. Temos uma quebra nesse ritmo de Jogos com a morte da Maggs: Não precisou de uma trilha sonora triste para todos os fãs sentirem o tamanho da perca daquela senhora que arriscou a vida pela de outra pessoa, e sempre se mostrou ao lado de Katniss. Katniss também não está sozinha com Peeta: Têm Finnick, Johanna, Wiress e Beetee ao seu lado. Mas é notável que o foco de todos não seja nem os outros tributos, mas sim os Jogos, e assim, a Capital.

Os jogos são envolvidos por um clima de ação e aventura que Francis (o diretor) aplica com a trilha sonora e os efeitos. E de repente, o que seria uma armadilha para os outros tributos, se torna uma armadilha pra quem é o verdadeiro inimigo: A Capital, o que provoca a ira de Presidente Snow, que nem a cabeça do Plutarch em uma bandeja consegue ter. Katniss, o nosso Mockingjay, destrói a barreira que envolve a arena, e nessa parte, o arrepio é certo: temos uma cena de impacto quando a cúpula de força que envolve a arena é destruída, e a câmera foca o rosto da protagonista: essa cena nos transmite uma felicidade misturada à agonia incrível, pois deixa todos querendo saber: o que realmente irá acontecer.

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E por fim, temos um final de fazer qualquer um infartar: Katniss percebe que está dentro de uma guerra, seu lar foi destruído, e uma noticia que realmente a abala: Peeta, o seu amado, está sob as mãos da Capital. E acaba o filme. Sim, exatamente, acaba o filme: o diretor fez questão de deixar essa sensação para “A Esperança: Parte 1”, o que faz todos ficarem contorcendo na espera da seqüência que só estréia ano que vem.

Jogos Vorazes: Em Chamas nos traz risos, lágrimas, arrepios e vontades de gritar, mas é um filme que vai além de uma trama de aventura: é um filme político, de um povo suprimido que se rebela, e é interessante trazer essa abordagem revolucionária, que vemos com tal qualidade em pouquíssimas ocasiões. O filme não perdeu o clima de romance, teve um clima mais adulto e complexo: mas foi ao mesmo tempo, uma produção cinematográfica digna, que não só cumpriu seu papel de entreter, mas assumiu o papel de uma adaptação leal, e principalmente: acorrentou quem assiste à revolução.

E com um final daquele, é impossível negar a ansiedade que fica para “A Esperança: Parte 1”, que tem tudo para ser um filme tão bem feito quanto esse. E para um desse nível, não resta outra nota a não ser 10 (dez). A equipe técnica, de marketing e a distribuidora fez um trabalho implacável, que fez e fará todas as salas de cinema ficar literalmente Em Chamas.

Coluna/crítica feita por Marcello Oliveira Costa