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COLUNA: Voldemort e Hitler: Vilões da vida real

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“Eu queria que Harry deixasse o nosso mundo e encontrasse exatamente os mesmos problemas no mundo mágico. Então aí você tem a intenção de impor uma hierarquia , você tem intolerância e essa noção de pureza , o que é uma grande falácia, mas existe em todo o mundo. As pessoas gostam de pensar que são superiores e que eles podem se orgulhar por nada mais que ‘receber uma pureza’. Então, sim , isso segue um paralelo.” – J.K. Rowling, 2007.

Não é preciso estudar muito ciências sociais para notar uma forte influência da História Mundial em Harry Potter. Assim como diversos autores da literatura fantástica, J.K. Rowling também busca acontecimentos do mundo real para traçar paralelos em seus livros, e um deles é extremamente marcante: o nazismo alemão. Os acontecimentos da segunda guerra mundial, maioria encabeçados por Adolf Hitler na Alemanha nazista, chocou todo o planeta ao expor atitudes racistas em níveis assustadores: judeus e outras pessoas consideradas como “uma raça inferior” eram mortas e mantidas em condições sub-humanas em campos de concentração. Isso nos lembra bastante as atitudes de Lorde Voldemort em relação aos trouxas, não é mesmo? E esse é o tema da nossa coluna de hoje.

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Como grande parte dos leitores devem saber, a visão de “pureza” do sangue não é só de Voldemort: na História da Magia, muitos bruxos consideravam trouxas inferiores e tomavam atitudes por isso, sendo a mistura do sangue bruxo com trouxa algo desprezível. O primeiro bruxo realmente notável a pregar isso foi Salazar Slytherin. Um dos grandes fundadores de Hogwarts, Slytherin pregava que a escola deveria receber apenas pessoas de “puro-sangue” (percebam o racismo desse termo). E ao ser negado pelos demais fundadores, Slytherin deixou Hogwarts e lá uma Câmara que guardava algo que quando “ativado”, exterminaria todos os “impuros” de Hogwarts. É essencial que todos saibam, que não foi Hitler que criou o antissemitismo alemão: É uma corrente filosófica de anos e que já era pregado por muitos, tal como era na época de Slytherin.

Ao analisarmos um pouco mais a obra de Rowling, vemos também práticas nazistas por parte de Grindelwald: o bruxo acreditava que como era mais poderoso, era mais digno de liberdade, e logo, de vida. Pregando suas atitudes “pelo bem maior”, ele faz uma referência a Segunda Guerra Mundial, na qual era bem comum o uso de slogans para justificativa de atos. Segundo Rowling, Grindelwald foi derrotado em 1945, mesmo ano da morte de Hitler. Seria isso apenas uma coincidência? Não, ao menos é o que afirmou Rowling.

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E agora, chegamos ao nosso eterno ditador: Lorde Voldemort. Obviamente, são incontáveis as diferenças entre ele e Adolf Hitler, entretanto, é impossível não perceber algumas semelhanças. As viagens de Harry e Dumbledore pela penseira em Harry Potter e o Enigma do Príncipe nos permite saber que Voldemort não teve uma infância muito fácil: abandonado pelos pais, o garoto foi deixado em um orfanato onde era obrigado a conviver com crianças trouxas, mas como achava que ele tinha mais poder que eles, Voldemort acreditava que ele deveria ser tratado como superior, sendo bastante infeliz em sua infância. Infelicidade que também participou da vida do jovem Hitler, que chegou a ser abusado quando criança e cresceu em uma região bastante pobre. Levando isso em conta, podemos supor que a infância conturbada de ambos foi um dos fatores que os levaram a crer na formação de suas personalidades futuramente.

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Assim como Hitler, Voldemort também desenvolveu grandes capacidades de persuasão. Hitler,  ainda quando criança, já iniciava seu poder persuasivo ao convencer sua mãe a fazer as coisas que queria sem muito esforço. Característica também comum em Voldemort, que era capaz de fazer coisas com o intuito de manipular pessoas e conseguir o que queria, muitas vezes, fazendo as pessoas acreditarem que tinha “boas intenções”, que é o que ocorreu com Voldemort e Slughorn, e no caso de Hitler, com uma tia que já beirava a morte e acabou deixando boa parte da herança para o futuro ditador. Entretanto, Voldemort entendia o limite de sua manipulação, e a simples presença de Dumbledore era capaz de fazer com que o vilão aceitasse que não poderia manipular o poderoso bruxo, e essa história cruza novamente a história de Hitler, que era obrigado a deixar de lado seu poder persuasivo quando era abusado pelo seu próprio pai. Voldemort e Hitler também tinham sede de poder pessoal, o que ia além de uma pura mudança de regime governamental: ambos queriam ter o direito de governar, pois se achavam poderosos o suficiente para isso.

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Na sociedade bruxa, tal como na sociedade alemã, existiam diferentes “graduações de raça”: sangue puro, sangue sujo e trouxas são termos que nos remetem ao fato que a perseguição nazista não foi só a judeus, mas também a pessoas que tinham ligações com estes. É importante também notar a semelhança das situações que eram colocadas as raças “inferiores”: Na Alemanha Nazista, judeus eram enviados para campos de concentração, lugares sujos com padrões de vida sub-humanos em que as pessoas enfrentavam frequentemente o medo, a miséria e o desespero. Situação bastante parecida com que os nascidos trouxas enfrentavam em Harry Potter e as Relíquias da Morte, em que eram obrigados a lhe dar com Dementadores após uma simples assinatura de Umbridge. E quais criaturas são melhores para representar o medo, a miséria e o desespero que Dementadores, hein?

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Tal como Hitler, após tomar o poder Voldemort era capaz de controlar a imprensa e a propaganda para pregar os seus princípios. Hitler usava a suástica e a imprensa alemã para poder convencer as pessoas do que fazia era certo, e da supremacia de sua filosofia. A estátua do átrio do Ministério da Magia em que trouxas são tratados como inferiores também demonstra a supremacia de sua filosofia, e é evidente o controle da imprensa quando Voldemort toma o Ministério: o Profeta Diário é exemplo vivo disso. E tal como o regime nazista, o movimento anti-trouxas também teve resistência: da mesma forma que os países do mundo lutaram contra o nazismo, Rowling nos dá a Ordem da Fênix, o Pasquim e o Observatório Potter como forma de resistência, passando assim a lição de que cada um pode fazer o seu melhor para lutar por uma causa justa.

Dessa forma, é inegável que Rowling conseguiu traçar um paralelo muito interessante entre Hitler e Voldemort. Obviamente, a escritora buscou não pesar tanto a história com esse tema cruel, mas conseguiu grandes lições que pregam o amor, a igualdade, a luta por direitos e a compaixão entre diferentes povos. E utilizando da história, Rowling consegue trazer uma certa moralidade e realizar diversas reflexões, trazendo sempre em suas obras o transito entre a guerra e o amor.

Coluna escrita por Marcello Oliveira Costa

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.