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CRÍTICA: A Esperança – Parte 1

Em um filme brilhante, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 consegue honrar todo o sucesso que o precedeu. Dirigido por Francis Lawrence, o filme inovou em muitos aspectos, mas o ponto mais notável foi o papel da psicologia da protagonista, Katniss Everdeen, que ganhou um destaque ainda maior pela atuação de Jennifer Lawrence. Confiram o que achamos do filme na nossa crítica completa:

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Para compreender um pouco melhor a adaptação de Jogos Vorazes, é necessário compreender o básico dos livros; nas páginas, temos uma garota conflituosa e indecisa que embarca em uma situação que muda os rumos de sua vida, mas isso todo mundo já sabe, então vamos dar destaque à algo mais específico: os livros são narrados em primeira pessoa. Para os roteiristas, uma tarefa complicada, pois transmitir todas as emoções narradas facilmente pela personagem na obra se torna um pouco mais complicado.

Nos dois primeiros filmes, podemos observar dois prismas ópticos: o primeiro é Katniss, que tem que aprender a se adaptar aos novos desafios, e o segundo é o ambiente, que já fala por si ao retratar um cenário pós-apocalíptico de uma sociedade distópica. Em outras palavras, quem assiste ao filme se sente interessado tanto pela protagonista quanto pelo meio em que ela está inserida. Já em A Esperança – Parte 1, o diretor resolveu arriscar dando maior ênfase à psicologia de Katniss, e conseguiu fazer isso de forma espetacular.

No início do filme, já temos a personagem em uma estado de trauma: o fato dela ter que repetir seu nome e os acontecimentos de sua vida nos passa o tamanho da insegurança de Katniss, e a partir desta primeira cena, Jennifer Lawrence já justifica sua carreira em ascensão no mundo do cinema. Em todos os momentos do filme, a atuação dela é esplêndida, sempre transitando entre a tristeza e a raiva, ela consegue mesclar a guerreira que Katniss deve se tornar e a garota que se voluntariou para lutar nos Jogos.

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O filme continua, e no Distrito 13 temos uma atmosfera bastante fechada, e aí entra outra grande colaboração da fotografia para o desenvolver da trama. Quando o assunto é cinema, falar sobre cores é essencial, e em A Esperança: Parte 1 não foi diferente. Durante todo o filme, tivemos o predomínio de três tons de cores em especial: o branco, o preto e o amarelo, sempre em tons escuros. Em outras palavras, não temos um filme muito colorido, e isso certamente colabora para todo o clima tenso e de tristeza pré-guerra anunciado. É interessante notar também que as duas cenas principais em que não tivemos o predomínio dessas cores, se destacam singularmente: uma delas, é quando Katniss e Gale saem para caçar no distrito 13, onde temos tons verdes e azuis colaboram para o sentimento de nostalgia que os dois se inserem ao lembrar da vida antes dos Jogos, e a outra cena é o resgate de Peeta, em que temos tons de vermelho, estampando sem escrúpulos a situação de perigo em que se encontram os atores participantes.

E o filme se desdobra de forma lenta e tensa, dando grande enfoque na situação de perigo constante, lógica de ataque e contra-ataque e do intuito de propagar a ideia de revolução pelos distritos. Seguindo o melhor padrão à Harry Potter e as Relíquias da Morte, a divisão se fez justificável pela tensão acumulada, sensação realmente importante em uma divisão, já que os núcleos do filme ficam mais esclarecidos, o que certamente levará todos os fãs à loucura para assistir o final da saga, que chega aos cinemas apenas no próximo ano.

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Destacando e analisando algumas cenas emocionantes, podemos destacar a ida de Katniss ao Distrito 12, em que os diretores não poupam a melancolia e o estado decadente da personagem, as cenas do Peeta, em que ele demonstra um discurso completamente mecanizado pela capital, a canção da árvore forca, em que a trilha sonora e as sequencias de rebelião transmitem a vontade de levantar das poltronas do cinema e lutar, e a cena final, a qual certamente muitos pagariam o dobro do ingresso para assistir aos cinco minutos seguintes, que só estarão presentes em A Esperança – Parte 2.

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Em relação ao elenco, como temos maior participação de Liam Hermsworth, ele se destaca em relação aos outros filmes, e quem se sobressaiu também foi Elizabeth Banks, que interpreta uma Effie Trinket pós-Capital que é, inclusive, inspiração para alguns dos poucos momentos engraçados do longa. Para os “novos personagens”, não seria surpreendente se Julianne Moore se sobressaísse, e foi exatamente isso que aconteceu. Sem muitos sorrisos, as expressões da atriz transmitiram com exatidão toda a frieza e personalidade calculista de Alma Coin.

Encerrando-se com uma cena realmente chocante, todos que assistem ao filme certamente saem satisfeitos com o resultado, e ao som de Yellow Flicker Beat, os créditos invadem as telas. É claro que tivemos uma maior comoção no “Pela memória de Philip Seymour Hoffman”, ator que morreu no tempo de filmagens, e que certamente ganhou um espaço no coração dos fãs da saga.

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Em resumo, Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 fica com nossas cinco estrelas e com uma imensa recomendação não apenas para quem é fã da saga, mas também para todos aqueles que gostam de um bom filme e de um cinema por lazer. Com um enredo bem amarrado e um elenco de dar orgulho, o Brasil novamente foi privilegiado pela Paris Filmes em receber com uma antecedência que certamente faz diferença pra quem é fã. E que venha A Esperança – Parte 2, e se ele prosseguir com a evolução da saga, certamente teremos outro enorme motivo para ir aos cinemas no próximo ano.

Crítica por Marcello Oliveira Costa

 

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.
  • Andressa Luiza

    Com belíssimas palavras você conseguiu capitar toda a emoção transmitida pelo filme. Um misto de raiva, amor e esperança que nos é apresentado durante cada segundo do filme.

  • Daniela

    Amei o filme, me arrepiei com casa cena, me revoltei junto de alguns acontecimentos, nossa… Sou bastante critica quanto a adaptações para o cinema de alguns livros, li a saga e posso dizer que quanto a isso não tenho do que reclamar. Detalhes foram tirados, mas a emoção com que outros foram colocados me faz querer assistir novamente e aguardar ansiosamente pela segunda parte.