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Crítica: A menina que roubava livros

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A adaptação para os cinemas do clássico de Markus Zusac realmente vai deixar o que falar: para alguns, o filme ficou tedioso e cansativo, e para quem já leu, tem aquele já tão conhecido argumento de que “ficou diferente do livro”, para outros, o filme é realmente fantástico.

 Nota: Este texto pode conter revelações sobre o enredo do filme.

Em relação à direção, o filme se mostra realmente surpreendente, embora este não seja o ponto mais forte dele. O diretor Brian Percival, que se arriscou em dirigir uma adaptação cinematográfica, uma vez que sua área de atuação era mais na TV (fez ótimos episódios da série Downton Abbey), realmente surpreendeu a alguns: ele pecou um pouco em não abusar mais da capacidade de Geoffrey Rush, que é um excelente ator e representa Hans Hubermann, o pai adotivo da garota Liesel, que é a protagonista do filme.

 Liesel, por sua vez, é representada pela jovem Sophie Nélisse, uma garota que não tem lá toda essa fama e é considerada por muitos como desconhecida, mas não deixa a desejar: a cada expressão facial dela é possível notar seus sentimentos, e soube muito bem representar a protagonista. Em relação a Emily Watson, a atriz pecou um pouco por atuar de uma forma muito normal, sem muitos ápices e sem muita emoção, deixando tudo meio automático.

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Um dos principais pecados do filme se dá em relação ao seu ritmo: o filme não varia muito em suas cenas, de forma que tem uma continuidade nas sensações que passam a quem o assiste, parecendo algo forçado, o ponto fraco é o seu final repentino: o diretor realmente abre muitas histórias durante o filme, e no final, temos duas únicas cenas que dão conclusão à toda obra, podendo ter deixado algumas pontas desamarradas, o que gera realmente decepção a aqueles que amam comparar o livro com o filme, já que o livro é escrito de uma forma genial.

E agora, os pontos positivos: primeiramente, trilha sonora. A menina que roubava livros não é um daqueles filmes em que todas as cenas contam com uma música no seu fundo, o que pode ser uma das explicações pelo clima estável do filme, mas quando temos alguma trilha sonora, é realmente marcante, e isso é justificável: a trilha sonora do filme foi composta pelo nomeado John Williams, embora possa se reconhecer que a trilha não se encaixa muito bem nas outras compostas pelo mesmo, talvez mesmo pela raridade dela durante a obra.

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Se por um ponto o filme não se apegou muito ao livro, ele se apegou muito bem ao período histórico da época, coisa que o livro também faz. Como uma obra que se passa na Alemanha nazista, podemos ver durante todo o filme o clima de guerra e de perseguição pelo nazismo tão exposto que Percival arriscou a colocar. Percebe-se que tudo aquilo ocorre em meio a uma guerra, e que as coisas poderiam acontecer a qualquer momento (inclusive no final da obra). A equipe de arte também não deixou a desejar: por mais que a história não se passe em lugares muitos diferentes, é notável a influencia do nazismo no cenário local: temos bandeiras nazistas espalhadas por todos os lugares, nos prédios, nas escolas, tudo retratando detalhadamente como era a Alemanha da época.

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E por final, um ponto que realmente destacou: a fotografia do filme. A equipe de fotografia responsável por este filme é indiscutivelmente digna de grandes premiações. Durante todos o filme, podemos ver o clima adaptado aos cenário, e uma coisa notável é que temos o predomínio de certas cores: o filme leva um tom meio claro no seu decorrer, mesmo durante o dia, é notável a presença de muitas coisas brancas, e isso inclui sim a neve, tendo como uma das únicas exceções uma cena gravada com Liesel e Rudy em um lago. A predominância do branco nesse filme pode passar a quem assiste uma expressão de frieza que por mais que não seja nitidamente percebida, existe. Quando se trata de noite, temos tons escuros, mas sempre misturados a um laranja devido ao fogo, muito usado na divulgação do filme. Temos também durante todo o filme a cor vermelha, presente nas centenas de bandeiras nazistas espalhadas pela obra. Essas cores fazem jus ao trecho do livro em que se descreve: “Primeiro, as cores. Depois os humanos. Em geral, é assim que vejo as coisas. Ou, pelo menos, é o que tento”. É sim importante analisar isso, e claro, dar os devidos créditos a excelente equipe de fotografia responsável pelo filme.

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Com todos esses pontos positivos e negativos, “A menina que roubava livros” acaba valendo o preço pago pelo ingresso de uma boa seção de cinema, desde quem o assista queira ver algo exatamente igual ao livro. Mas por aqui, ele fica com a nota 8.0/10, levando em conta que não conseguiu uma nota maior pelos poucos erros (especialmente pelo ritmo), e por um errinho aqui e outro ali. Poderia sim ser algo melhor, mas isso não indica que o filme não seja bom.

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.