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O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos lançou ontem e nós, do Sobre Sagas, já assistimos ao filme! Como foi um filme realmente muito esperado, juntamos dois membros de nossa equipe para avalia-lo, e as críticas de ambos vocês podem conferir abaixo. Lembrando que, como de costume, ambas contém revelações sobre o enredo. Confiram:


 Uma última vez
por Aline Rodriguez

 Chega ao fim a trilogia O Hobbit

 Momento triste para os fãs de Tolkien: chegou ao fim a trilogia O Hobbit. Com estreia nos cinemas nesta quinta-feira, o filme encerra o ciclo criado em 2001 com O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. A divisão de um livro em três filmes levou ao questionamento se tantas horas de gravação seriam necessárias e fariam jus à história, mas tratando-se de Peter Jackson, que conseguiu um faturamento de três bilhões de reais com a trilogia de O Senhor dos Aneis, além de 22 prêmios Oscar, confiança era o que não faltava.

 Thorin está consumido por uma obsessão com o ouro da montanha após o grupo de anões e Bilbo despertarem o dragão que a habitava. Com a ausência da criatura na montanha, outros grupos partem em direção a montanha, seja por sua localização estratégica ou por sua riqueza.

 É em torno deste momento que gira toda a história do último filme, que tem batalhas por quase todas as duas horas e meia de duração. Entre tantas lutas, o filme não consegue fazer jus às grandes batalhas vistas nos filmes de O Senhor dos Aneis, nem às grandes habilidades de alguns personagens. O tão esperado embate entre Thorin e Azog, a grande vingança do anão, vira uma brincadeira de fugir de golpes e depeciona. Legolas, que deixou na memória de todos os fãs a cena em que sobe em um cavalo com um único salto em O Senhor dos Aneis: As Duas Torres, torna-se piada em sua luta com Bolg, tamanha apelação de suas habilidades surreais.

 Por falar em piada, o filme carrega um senso de humor mais afiado em relação aos dois primeiros e o personagem Alfrid protagoniza a maioria delas, sem muita graça e um pouco forçadas. A comédia exagerada suga o tom de tensão e emoção que o encerramento da trilogia prometia passar ao espectador, que vai precisar esperar muito tempo para ver a terra média novamente nas telas.

 Nota: 5/10

 


 Lá e de volta outra vez
por Marcello Oliveira

Desde que anunciado que “O Hobbit”, livro de J.R.R. Tolkien seria dividido em três filmes, confesso que passei a ter um certo medo. Em alguns casos, a divisão de livros em duas partes se faz necessária (Harry Potter e as Relíquias da Morte, por exemplo), em outros, não. Felizmente, A Batalha dos Cinco Exércitos acabou amarrando todas as pontas que estavam soltas do filme anterior e assim, concluiu dignamente a trilogia de Peter Jackson.

Não me preocuparei em comparar livro e filme, pois não faz sentido comparar mídias diferentes, entretanto, acredito que para avaliar melhor o filme julgando pelo roteiro, devo fazer uma observação: Uma Jornada Inesperada e A Desolação de Smaug relataram fatos de 238 das 296 páginas do livro, ou seja, em A Batalha dos Cinco Exércitos, teríamos apenas 58 páginas do livro. Mas como? Para a minha felicidade, Peter Jackson fez um excelente trabalho que justificou tudo isso. O que ocorreu foi que no livro boa parte da Batalha não foi narrada, pois Bilbo usa o anel e acaba desacordando, acordando novamente quando a Batalha já havia acabado, o que rendeu nada mais de 8 páginas. É óbvio que o filme teria que ser diferente, mas seria necessário que se fosse ao cinema com uma visão: O Hobbit não é O Senhor dos Anéis.

Em O Senhor dos Anéis, a coisa está realmente bem pior: todos os lugares da Terra Média foram afetados, o mundo está em guerra, e nem mesmo O Condado se livrou desta. Em poucas palavras, O Senhor dos Anéis narra os acontecimentos de todos os locais, temos diversos focos, e a Guerra do Anel é apenas o ápice dos ocorridos, em O Hobbit, temos algo longe de ser A Guerra do Anel. Neste, temos apenas a Aventura de Bilbo, um Hobbit com pouca sorte e atrapalhado, e o papel do filme era narrar o que ocorria ao redor de Bilbo e fazer a ligação com os acontecimentos de O Senhor dos Anéis, e não narrar a guerra em si, embora tenha o feito.

Eu não perderei muito tempo entrando nos termos técnicos: os efeitos e a fotografia são simplesmente fascinantes, desde o chocante início de Smaug destruindo a Cidade do Lago, temos efeitos brilhantemente trabalhados e os famosos truques de câmera que deram a Peter Jackson o Oscar de sua última trilogia. Em relação à equipe de arte: WOW! Os figurinos perfeitamente trabalhados e os cenários de Erebor apenas representaram o tamanho da grandiosidade toda trilogia. A trilha sonora, assinada por Howard Shore, deu aquele toque que faltava para completar as emoções do filme, que são realmente muitas.

No que se diz ao enredo, como já disse, no início temos Smaug destruindo a Cidade do Lago, ou seja, o filme já começa com um pico de ação, mas que está longe de ser o clímax. Ainda no início, temos o primeiro – e único – arco que Bilbo não está envolvido diretamente, que é a expulsão de Sauron de Dol Guldur. O elenco impecável composto por Cate Blanchet, Ian McKellen e o nonagenário Christopher Lee incorporaram ao Conselho Branco todo o poder que eles realmente tem, e temos então o fechamento de um arco importantíssimo, dando um destaque especial à Galadriel, que perdeu a paciência e mostrou seus verdadeiros poderes. A partir deste, temos o último arco, que é a Batalha.

Jackson nos deu uma batalha com realmente todas as suas fases: desde sua preparação até o fechamento. Thranduil (Lee Pace) mostrou mais uma vez sua difícil tarefa de ser um rei élfico em um estado pré-guerra. Bard (Luke Evan) cumpre seu papel de diplomata e defensor do povo da cidade do lago, e a chegada de Dain (Billy Conolly) para a Batalha deu um toque cômico à guerra, o que era de se esperar, devido à sua personalidade aflorada de anão (Aquilo sim é um anão de verdade!).

Quando os Orcs chegam para a batalha e vemos os anões de Dain e elfos de Thranduil entrando na guerra, Jackson nos mergulha em um turbilhão de acontecimentos enquanto Thorin se mantém trancado na montanha, dominado por sua ganância perfeitamente interpretada pelo ator, Richard Armitage. E apenas quando Thorin se dá conta de sua loucura, ele vai para a guerra, em uma cena de realmente arrepiar quem assiste ao filme.

A partir de certo momento, o núcleo sai da batalha e passa para seis personagens de importância fundamental para o desenvolvimento do enredo: Thorin, Fili, Kili, Bilbo, Tauriel e Legolas. Todos estes, não exatamente nessa ordem e com diferentes intuitos, vão atrás de Azog, dividindo-se depois, temos lutas separadas que certamente merecem certo destaque: de inicio, já temos Fili e Kili sendo mortos, o que gera um emocionante momento entre Tauriel, que em breve encontra Legolas, que até o momento estava ocupado dando um fim em Bolg em uma cena cujos efeitos acabaram ficando cômicos, podendo ser um pequeno ponto negativo do filme. E por fim, tivemos a esperada luta de Thorin e Azog, não tratada nos livros, mas que acabou se desenvolvendo rapidamente e levando ao fim de ambos os personagens, um momento triste no enredo, em que Bilbo acaba se despedindo do amigo.

De ponto negativo, o filme teve apenas um relevante para mim: Alfrid, um personagem completamente descartável acrescentado por Jackson para dar um toque de humor ao filme, mas que acabou ficando algo forçado no meio de uma guerra. O toque de humor no filme sempre veio das confusões de Bilbo, que Martin Freeman faz questão de interpretar brilhantemente. Mas para mim, isso não foi nada que atrapalhasse no enredo em geral do filme, que amarrou todas suas pontas no final.

E no final, tivemos uma cena de fazer qualquer fã de Tolkien ir as lágrimas: uma linda ligação com O Senhor dos Anéis, em que o personagem chega em seu tão esperado lar, e já aparece anos depois, enquanto Gandalf bate em sua porta, acontecimento do início de A Sociedade do Anel. Peter Jackson, diretor de ambas as trilogias, recebe o mérito de ter concluído um trabalho tão longo e bem feito, e assim, os fãs se despedem da Terra Média em um filme digno da obra de Tolkien.

Nota: 9.5/10


E você, o que achou de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos? Compartilhem sua opinião conosco nos comentários! E se não assistiu, corra para os cinemas e assista!