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O livro não é para qualquer um, mas para os poucos que começarem a se aventurar, é fantástico. Primeiramente, vamos a um nome: J.R.R. Tolkien. Acredito que conhecido por todos os que estão lendo essa resenha, o fato desta obra ser escrita por um dos maiores escritores e gênios do século passado já deve pesar um pouco para o lado “vou ler”, mas esse livro valoriza de forma inigualável algo que – infelizmente – é pouco valorizado atualmente: a literatura como arte.

Quando digo que o livro não é pra qualquer um, explica-se pelo fato de que quem não estiver acostumado com uma leitura densa e com um vocabulário mais erudito, terá demasiada dificuldade em lê-lo. É necessário ter uma certa maturidade para se encantar com o poema, e tendo isso, a nostalgia e a emoção correm soltas.

Vamos ao contexto: estando na lista dos primeiros escritos do autor que viriam a ser livros, o livro se divide em dois núcleos, sendo o primeiro escrito por Tolkien e o segundo por seu filho, Christopher Tolkien. Na primeira parte, escrito em versos, temos um poema (que fique avisado que ele é inacabado) narrado por Tolkien, em que ele conta algumas aventuras do rei Artur de Camelot, dentre elas estão as batalhas marítimas, questões de Lancelot, sua ida e volta às terras selvagens e seu conflito com Modred.

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O interessante é que na versão nacional, você pode ler o poema tanto em inglês quanto em português, mas para optar pela língua original (inglês), já advirto: é bom que você seja mestre nisso, pois o inglês de Tolkien é bastante erudito, e para alguns pode parecer maçante. A forma como o autor narra os ocorridos nos remetem aos épicos poemas de guerra da Grã-Bretanha, fazendo jus não apenas à terra natal de Tolkien, mas também à todos os seus títulos artísticos, pois um poema escrito de forma tão perfeitamente cautelosa e metrificada é de render grandes honrarias para aqueles que a muito já é reconhecido como o pai da fantasia.

Recomendo também para quem pretende ler a obra, que estude um pouco sobre Artur Pedragon e os que o rodeiam. É claro que mesmo sendo inacabado, Tolkien consegue dar sentido singular ao poema, mas quando o lê entendendo mais amplamente o contexto das lendas em que ele é narrado, a leitura flui de modo muito mais envolvente.

Já em relação à segunda parte, bem, Christopher já acertou muito em suas escolhas, mas fazer uma análise um pouco maçante da obra de seu pai pode não ter contado muito para ele. É obvio que como portador dos direitos da obra do mestre, ele tem o direito de opinar e de esclarecer melhor algumas coisas que nós, fãs assíduos, merecemos saber, mas a maneira densa em que ele faz isso nos dá vontade de reler a primeira parte do livro ao invés de se ocupar com a segunda.

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Em relação à editora, que novamente é a WMF Martins Fontes, editora que sempre se preocupa com literatura de qualidade e em trazer grandes obras para o Brasil, temos uma diagramação perfeita e uma arte de capa linda, em que vemos um cavaleiro em batalha. E claro, devemos novamente agradecer à editora por trazer e traduzir mais uma obra de Tolkien para solo verde e amarelo – e acreditem quando digo, a tradução de um poema como este não é uma tarefa nada fácil.

No fim das contas, recomendo “A Queda de Artur” para três públicos em especifico: primeiramente, para os fãs de Tolkien, é claro, em segundo lugar, para todos aqueles que amam uma literatura de qualidade, e por último, a todos aqueles que se interessam pelas histórias da antiga Bretanha e das lendas do rei Artur. Se você se encaixa entre esses três públicos, certamente irá amar a história de rei Artur. Então, avante cavaleiros, e boa leitura!

Resenha por Marcello Oliveira