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RESENHA: Coração de Tinta, de Cornelia Funke

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De todas as certezas que pude extrair de “Coração de Tinta”, a maior delas é que este livro é uma leitura obrigatória para todos os amantes de literatura fantástica. Por que isso? Bem, vamos ao princípio estabelecido por Tzvetan Todorov, um dos maiores críticos da literatura e um grande teórico da filosofia da linguagem: “Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico”. E nestas poucas linhas, Todorov fez o resumo mais conciso de Coração de Tinta de todos os tempos.

Escrito por Cornelia Funke, o livro é o primeiro de uma trilogia fantástica. Logo de início, já vemos a intimidade que o narrador cria com o leitor, com descrições precisas e diálogos bem românticos. O interessante é que a própria narrativa vai mudando de acordo o enredo vai se intensificando, e cada vez mais, é impossível parar de ler.

Bem, resumindo a estória e desviando dos spoilers, o livro começa com a simples ação de Mo (Mortimer), um simples encadernador de livros, estar colocando sua filha Meggie para dormir, e nas descrições da autora já vemos a importância que ambos dão à leitura. Nessa mesma noite chovia, e então, ao olhar pela janela, Meggie consegue identificar alguém para fora da casa e logo avisa Mo, que reluta para que a garota vá para a cama.

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E a pessoa que estava fora da casa, era uma visita nada esperada. Chamado por Mo de Dedo Empoeirado, Meggie se vê confusa quando ele fala com Mo de um tal de “o livro”, Capricórnio, aldeia, e sobre eles terem que fugir. A autora obriga o leitor à ficar tão confuso quanto Meggie enquanto todos eles estão indo para casa de Elinor, uma tia da garota por parte de mãe. Elinor é de longe minha personagem preferida, acredito que pelo amor dela com livros e o cuidado que ela tem com eles.

A estória ganha um novo clima (e uma narração mais rápida e profunda) quando homens misteriosos invadem a casa de Elinor e levam Mo, alegando que deve leva-lo para Capricórnio. Meggie se vê então, obrigada a partir em uma jornada junto com Elinor e Dedo Empeirado até a aldeia de Capricórnio para tentar resgatar Mo. E é a partir desse momento que toda a aventura do livro realmente cria forma: Meggie entende que seu pai tem a habilidade de trazer à vida os personagens do livro que ele lê em voz alta, que Capricórnio, Dedo Empoeirado e outros personagens vieram dele. E o conflito maior está no fato que para um personagem sair, uma pessoa precisa de entrar no livro – o que não é um problema pequeno.

Com a narrativa suave, o livro é narrado em diversos capítulos, e outra coisa interessante é que no início de cada capítulo, temos um trecho de estórias muito interessantes (Peter Pan, O Senhor dos Anéis, etc.) que tem algo a ver com o que será narrado no capítulo em questão. As lições de moral, como é de se esperar, estão sempre presentes, como a sempre notável questão da importância da verdade.

E para quem é também fã de adaptações cinematográficas, o livro também ganhou uma: estrelado por Brendan Fraser, o livro foi levado para as telas em 2008, e certamente irá dar aquele complemento para todos aqueles que leram o livro e amaram. Confiram abaixo:

Em relação a arte, a Editora Seguinte novamente ganha pontos. Com uma diagramação perfeita e as lindas ilustrações ao fim de cada capítulo, a editora conseguiu cativar todos aqueles que também julgam livros pela capa: os detalhes da capa de Coração de Tinta são perfeitos, e deixa qualquer um atraído pela leitura.

Como disse no início da resenha, o livro é uma obrigação para os amantes de literatura fantástica. E para os que não são, certamente passarão a ser após a leitura deste. Longe de ser uma simples leitura infantil ou juvenil, Coração de Tinta conseguiu me encantar com todas as suas estórias e personagens. Com uma nota máxima em nossa avaliação, é tudo que uma boa aventura fantástica pode de melhor nos oferecer.

Resenha por Marcello Oliveira

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.