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Resenha: Duna, de Frank Herbert

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SINOPSE: A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?
Ao lado das trilogias ‘Fundação’, de Isaac Asimov, e ‘O Senhor dos Anéis’, de J. R. R. Tolkien, ‘Duna’ é considerada uma das maiores obras de fantasia e ficção científica de todos os tempos. Um premiado best-seller já levado às telas de cinema pelas mãos do consagrado diretor David Lynch.

O aviso de Arthur Clarke (escritor de 2001: Uma Odisseia no Espaço e outras obras) na capa do livro já diz bastante sobre a obra: “Não conheço nada que se compare a este livro, a não ser O Senhor dos Anéis”. Embora você não vá encontrar dragões e hobbits em Duna, escrito por Frank Herbert, a leitura do livro é tão densa quanto o grande clássico de Tolkien. Reconhecido mundialmente no mundo da literatura de ficção cientifica, Duna traz um enredo intenso que vai exigir maior atenção de quem o lê. Portanto, vejo Duna como aquele livro de um público mais restrito; assim como O Senhor dos Anéis, ele não vai agradar aqueles que estão acostumados com leituras leves, mas se você é afim de ler livros que te farão pesquisar, refletir, e que trarão descrições perfeitas de tudo o que se passa, corra e leia Duna.

Primeiramente, uma dica: Não ignorem os apêndices, certamente eles o ajudarão sempre que precisar voltar lá para entender uns termos. Como já estou acostumado com leituras densas e tive um certo tempo disponível para lê-lo, li em um prazo menor, mas não se surpreenda se você demorar semanas lendo Duna, a densidade do livro pode causar isso, embora seja bastante empolgante a partir de certo ponto.

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Vou procurar evitar spoilers, mas aqui vai um pouco sobre o que vai ver na história de Duna: A obra é dividido em três grandes arcos. De início, você já conhece Paul Atreides, e o autor já te empurra para dentro do enredo com um tom de mistério desde o primeiro capítulo. Paul é o protagonista da obra, e por mais que ele seja importante (um messias) para o planeta Arrakis (também chamado de Duna), ele tem os seus conflitos internos, dúvidas e confusões, que Herbert deixa bem notáveis.

Temos no enredo duas casas em conflito (o que me lembra um pouco As Crônicas de Gelo e Fogo): Os Atreides, cujo Paul é descendente, e os Harkonnen. Paul é o resultado da envolvência do Duque Leto com Lady Jessica, o Duque governa um planeta denominado Caladan, que nos lembra bastante a terra, com uma riqueza que é especial durante a obra: a água.

Temos a intensificação do enredo quando um imperador pede para que o Duque Leto assuma o poder em Duna, o que certamente não agrada os Harkonnen. O planeta Arrakis (Duna) é onde vive o poro Fremen, que sofrem com a escassez de água e que buscam maneiras de se virarem com o que têm. Esse povo acredita na volta de um “messias” que acabaria com esse problema e traria a paz. E a partir daí a história se desenvolve.

É interessante também analisar a importância cultural e filosófica nas entrelinhas do livro: você pode assimilar a história de Duna a diversos períodos históricos do planeta terra, e o livro pode ser um aviso para um mal que possivelmente assolará a terra futuramente, que é a escassez de água. Podemos ver também a importância que os bens de riqueza (como melange) têm para os Harkonnen, os “capitalistas” do universo criado por Herbert.

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Eu, particularmente, amei o primeiro arco do livro, mas os outros também são interessantes. A intensidade dos fatos narrados por Frank Herbert não vai te deixar dúvidas sobre as coisas da obra, pois tudo tem uma explicação e é bem esclarecido. A maneira com que o autor criou um universo é também interessante: está tudo estritamente ligado, a política e a cultura são constantemente tratados, você conhece novos termos, criaturas, tecnologias e tudo que uma boa ficção científica pode proporcionar.

Os capítulos iniciados com epígrafes bem contextualizadas o que dá uma certa diferença à obra. A arte da capa também retrata bem o universo da trama e provoca interesse aqueles que ousam em julgar um livro pela capa antes de lê-lo. Como já disse antes, Duna não é para todos os públicos, mas se você chega próximo ou faz parte desse público que ama histórias densas e bem escritas, não perca tempo para adentrar no incrível universo de Arrakis.

No Brasil, Duna é publicado pela Editora Aleph, que leva os nosso parabéns pela capa, pela diagramação da obra e pela tradução feita por Maria do Carmo Zanini.

resenha duna nota

Resenha por Marcello Oliveira

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.