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RESENHA: Lua de Larvas, de Sally Gardner

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O livro, escrito pela brilhante Sally Gardner, é indicado para todos os públicos pelos suas diversas opções de análises. Caso procure um livro simples, de leitura rápida e com um enredo envolvente, é recomendável ler Lua de Larvas, e caso esteja procurando um livro que te faça pensar profundamente as temáticas retratadas, idem.

O livro, narrado em primeira pessoa, gira ao redor de Standish Treadwell, um garoto com heterocromia que vive em um país denominado “Terra Mãe”. Neste lugar, predomina uma forma de governo autoritária, censurada e cruel, em que a repressão reina sob todos aqueles que tentam se opor, também chamados de “Obstrutores”.

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Caso você seja um fatídico fã de história, não vai demorar muito para reparar uma certa semelhança do regime da Terra Mãe com o nazi fascismo alemão presente na Segunda Guerra Mundial. A brutalidade e imponência do governo faz uma alusão direta às práticas adotadas por Hitler e pelo partido nazista na Alemanha, desde a forma de saudação, em uma postura ereta com o braço erguido até o patriotismo forçado por parte das forças armadas e da população.

Embora tenha um número de páginas consideráveis (291), o livro apresenta uma leitura realmente leve e rápida, isso devido a muitos fatores, dentre eles, um bom espaçamento entre as linhas, quebras de páginas entre capítulos e algumas ilustrações que dão ao livro um visual ainda mais atraente – inclusive, se você é daqueles que compra um livro pela capa, é provável que já tenha Lua de Larvas em sua estante, pois a arte de capa deste é realmente fantástica (aquelas congratulações à Julian Crouch).

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A narrativa, que como já disse, gira em torno de Standish, é na primeira pessoa do singular, sendo assim, traz alguns traços dos pensamentos de Standish, que é um garoto realmente forte. Standish vive em uma escola que também é repressora – nela, se aprende a amar e valorizar a Terra Mãe. Depois do sumiço dos pais, o garoto passou a morar com seu avô, e sua vida realmente mudou após conhecer seus novos vizinhos, o Sr. e Sra. Lush e seu filho, Hector. O jovem Hector tomou lugar de destaque no coração e na vida de Standish, e juntos, eles desenvolveram uma linda amizade, o que poderia até ser visto como um bromance em época de guerra.

O clima da obra muda quando o seu amigo Hector é levado pelos representantes do regime autoritário da Terra Mãe, a partir desse ponto, o livro toma um rumo mais traumático e pesado, no qual Standish se vê em diversos conflitos, desde proteger seu avô e a si mesmo, a expor o regime da Terra Mãe, e salvar o seu amigo Hector.

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Sally Gardner dá aos seus leitores uma obra de mão cheia que certamente vale a pena perder um final de semana para conferir (você certamente não gastará mais que isso). O livro traz muitos temas tanto explícitos quanto subjetivos – destacando-se o autoritarismo, as formas de repressão, e a amizade. E faz jus às palavras de Meg Rosoff, quando diz que o livro é “Deslumbrante, Arrepiante, de tirar o fôlego, um livro perfeito”.

Então, está esperando o que para conferir essa distopia fantástica? O livro é publicado pela  WMF Martins Fontes no Brasil, e você pode adquiri-lo no site da editora. E como tenho certeza que gostarão do livro, acredito que irão querer conhecer a autora, que virá no dia 30 de Agosto para a Bienal do Livro em São Paulo!

 Resenha escrita por Marcello Oliveira

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.