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RESENHA: Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer

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“De joelhos não é maneira de ser livre
Levantando um copo vazio, pergunto silenciosamente
Todos meus destinos aceitarão aquele que eu sou
Então eu posso respirar …”

– trecho de “Guaranteed“, música de Eddie Vedder para o filme “Na Natureza Selvagem

Algumas histórias foram escritas para marcar as pessoas que as leem, e Na Natureza Selvagem é certamente uma destas. É perfeitamente normal que ao ouvir este título, muitos o associem ao filme de 2007, brilhantemente dirigido por Sean Penn e embalado pela trilha inesquecível de Eddie Vedder. Mas por trás daquela grande obra do cinema, existe uma história real, e é ela que é retratada no livro, que vamos falar um pouco mais abaixo:

O autor, Jon Krakauer, é também um jornalista, e vemos evidências disso na narrativa, quando ele descreve tudo de modo que faz parecer um documentário, e faz isso com grande precisão de detalhes, o que dignifica o seu longo trabalho para reunir relatos e reconstruir os passos de seu protagonista pelo território norte-americano. A história narra uma parte da vida de Chris McCandless, um garoto que tinha tudo para ter uma vida perfeitamente normal, boa condição financeira, amigos, uma boa família e um carro, mas após completar os estudos, resolve tomar um novo rumo e seguir em uma aventura para o Alasca.

Já no início da história, Chris abandona seu carro e sua família e doa o dinheiro que tem, e assim, inicia sua jornada. O autor não segue uma linha cronológica de narração, e isso acaba fazendo com que muitas perguntas surjam na mente do leitor – mas logo são respondidas, e a cada capítulo podemos conhecer mais sobre a vida de McCandless, que inclusive, passa a adotar o nome de Alex Supertramp.

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Na sua jornada, Chris conhece muitas pessoas, a muitas ele até se apega, e ao contrário do que muitos pensam, ele está longe de ser antissocial. A única coisa que McCandless fez ao largar tudo que tinha era buscar uma vida legitimamente humana e natural, e para isso, desapegou-se do que ligava ao mundo “artificial” em que vivia.

Outro ponto interessante do livro, é que desde o início você já sabe o final: Chris morre. E isso deixa a narrativa ainda mais empolgante, pois por se tratar de um texto psicológico, a cada capitulo você passa a questionar tudo que levou o protagonista a ter aquele final que para muitos é considerado injusto; morrer de inanição quando ele consegue finalmente chegar ao que chama de “Natureza Selvagem” é realmente triste. Mas ao fim do livro, quando você se depara com toda a jornada de Chris e sua enorme coragem, você entende que tudo o que ele viveu valeu a pena, e se você tem tendências e pensa muito em ser independente, cuidado! Ler este livro pode fazer com que você também queira abandonar tudo e ir viver uma vida “mais natural”.

Como já havia assistido ao filme antes, fiquei com medo de tornar o livro menos interessante por já saber boa parte do que acontece, mas enquanto o lia ia ficando cada vez mais fascinado como se nem ao menos estivesse escutado aquele nome, e graças à riqueza de detalhes na descrição de Krakauer, temos muitos detalhes que infelizmente não temos no filme, que sem dúvidas entra na nossa lista de recomendações, e vocês podem conferir o trailer abaixo:

A obra é indicada para – literalmente – todos os públicos, pois por ter uma narrativa fluida, pode ter diversas interpretações e diversos graus de complexidade. Uma dica pessoal minha é ler o livro ao som de Guaranteed, música da trilha sonora do filme, o que certamente lhe dará uma sensação de liberdade maior ainda. Talvez pesquisar um pouco sobre o Alasca e sobre os lugares onde Chris passou torne a aventura ainda mais interessante, por mais que já tenha deixado bem claro que Krakauer nos dê bastantes detalhes.

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Em relação à esta edição especifica, publicada no Brasil pela Companhia das Letras, temos uma arte bastante simples que faz jus à história, que é também sobre simplicidade. Na capa, temos tons vermelhos e o famoso ônibus mágico, tão importante na obra. Dentre tantas lições mostradas no livro, uma que realmente me marcou foi “A felicidade só é verdadeira se for compartilhada”, frase que certamente o leitor leva para sua vida. Continuo ainda apaixonado pela história de Chris, e certamente lerei o livro novamente, e fica aqui nossa recomendação dessa história real e marcante, que certamente te fará pensar sobre muitas coisas que por mais que estejam diante dos seus olhos, você pode nunca ter notado.

Resenha escrita por Marcello Oliveira Costa

Participante do Sobre Sagas desde 2013, entrou na equipe como Colunista do site. Potterhead desde 2006, viu em Potter a oportunidade de se apaixonar por literatura fantástica (O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo, Percy Jackson), e atualmente também tem se apaixonado por distopias (The Hunger Games) e dramas mais densos.