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Resenha: O Iluminado, de Stephen King

Após a leitura de Joyland, eu senti necessidade de continuar lendo as obras de Stephen King. A primeira que me veio à cabeça foi “IT”, mas aquele livro parece uma bíblia de tão grande. Parei para pensar em alguns filmes clássicos de terror que tiveram base em seus livros e lembrei-me de vários exemplares como “Carrie, A Estranha”,  “Cemitério Maldito” (no Brasil, o livro é intitulado “O cemitério”) e do clássico dirigido por Stanley Kubrick: O Iluminado.

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Escolhi ler O Iluminado porque eu sempre quis saber o motivo de King odiar TANTO o filme de Kubrick. E tenho que concordar: existem vários motivos. O filme é considerado um dos melhores produtos de Hollywood no gênero terror, apresenta um elenco de peso, possui vários fãs e é, de fato, assustador. Porém, peca em não ser tão profundo quanto o livro que irei resenhar agora.

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O Iluminado é, principalmente, sobre os demônios de um homem decadente. Jack Torrance é um ex-professor, atual escritor em bloqueio de criatividade que precisa desesperadamente de um emprego. Ele consegue um emprego de zelador em um glorioso hotel: o Hotel Overlook. O emprego é para o período de inverno, no qual o hotel fica vazio e isolado pela nevasca.

Ele, sua esposa Wendy e seu filho se mudam para o luxuoso lugar, que é grande demais para apenas três pessoas. Seu filho Danny possui um dom especial. Ele pode ver aquilo que está no futuro, ler pensamentos e interagir com aqueles que já morreram, ou seja, é iluminado. Danny recebe constantes visitas de um amigo “imaginário” chamado Tony, que o avisa sobre os perigos do lugar por meio de premonições (que apresentam umas coisas bem loucas tipo o anagrama REDRUM). Danny também aprende muito sobre suas habilidades com o cozinheiro do Hotel, Dick Hallorann, que, assim como ele, é iluminado.

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Não demora muito e a família se encontra em total isolamento, já que todas as saídas do hotel estão cercadas por neve. A falta de contato com o mundo externo acentua os problemas pessoais e relembra desavenças do passado. O maior problema é que dentro do hotel existem espíritos malignos que se alimentam de suas angústias e farão de tudo para levá-los à loucura.

O curioso do livro é que faz o leitor se sentir preso junto com os personagens; não no hotel, mas em seus problemas e isso pode deixar a leitura um pouco mais lenta. A narrativa é cheia de flashbacks tristes e detalhes que ajudam na construção dos personagens. O destaque vai para os problemas de Jack com o alcoolismo, que são narrados com maestria.

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Ao abordar o assunto sobrenatural, King falha um pouco no início. Nas primeiras partes ocorrem fenômenos bobos como arbustos se mexendo, vespas e relances macabros; porém, ao se aproximar do clímax, o livro se torna absurdamente obscuro. Os espíritos do Overlook interagem com sensualidade, persuasão e expõem suas intenções maldosas. O Iluminado é um livro assustador, mais até que o filme. O desfecho da obra literária é interessante e deixou espaços abertos para uma sequência. O Iluminado é um livro bom para quem quer entrar contato com os clássicos do autor. A continuação de O Iluminado, Doutor Sono, só foi publicada 37 anos depois de seu antecessor e será adaptada para os cinemas em breve.

Resenha feita por João Pedro Alves.

Emo, gótico, vampiro, tumblr boy e conceital. Tudo isso com apenas 18 anos. Carioca cinéfilo viciado em dormir, comer, fotografar, assistir AHS, ouvir umas músicas indie e assistir muitos filmes.
  • Juliana Oliveira

    Muito interessante a resenha do João Pedro. É a resenha bem aprofundada sobre a obra de Stephen King. Estou lendo e simplesmente achei maravilhoso o livro. No início da narrativa se torna um pouco arrastado mas vi a profundidade do terror psicológico que o autor aborda. A luta do Jack com o alcoolismo. A impressionante sensibilidade de Danny enfrentando os problemas da família apesar da sua pouca idade dá para perceber como ele realmente é um menino iluminado. Uma história fascinante através da ótica do Mestre do terror: King.